Com palestras, estudos de caso e oficinas práticas, Olhar Verde quer despertar professores da rede municipal para função pedagógica e social de hortas comunitárias e escolares

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- Mãe, compra rabanete?

- Pra quê, menina? Você não vai comer isso!

- Vou sim mãe, eu gosto!

- Não gosta nada. Se eu comprar, vai acabar estragando.

- Mãe, eu já disse que vou comer!

- Tá bom, então leva. Quero só ver!

- Posso levar um maço de azedinha também?

(…)

O diálogo é real e aconteceu comigo quando eu tinha 8 anos. Ele prova que não há propaganda de suplemento vitamínico que supere uma boa educação. Vou explicar por quê.

Nessa semana aconteceu mais um encontro presencial do programa Olhar Verde, abrindo o mês de debate sobre hortas comunitárias. No caminho para o Ciesp, me lembrei de uma colheita de rabanetes e azedinhas na horta da minha escola. Cada aluno colheu pelo menos um rabanete e uma azedinha, depois de acompanhar o plantio e desenvolvimento durante vários dias. Depois, as cozinheiras prepararam uma super salada e serviram no recreio. Para todos nós, saborear aquela salada foi um momento mágico. Nenhuma outra ocasião faria crianças gostarem de vegetais considerados tão ruins por muitos adultos.

Naquela época, todas as escolas municipais da minha cidade (São José dos Campos) tinham uma horta. Mas uma onda de reformas exterminou todas elas. Em qualquer lugar, é cada vez mais difícil ter esse importante recurso pedagógico à disposição: para construí-lo, é preciso muita determinação e empenho. Felizmente, o encontro do Olhar Verde mostrou a professores de Bauru e Pederneiras que todo esforço vale a pena nessa empreitada. No próximo dia 28, eles também vão conhecer uma horta comunitária de verdade e participar de uma oficina para aprender a aplicar corretas técnicas de cultivo.

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Foi o engenheiro florestal Luiz Roberto Viccario, da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, que ministrou a palestra sobre assunto. Ele ressaltou as possibilidades de produzir frutas, legumes e verduras nas mais diversas condições e as vantagens da hidroponia, uma técnica que substitui a terra pela água no cultivo de diversos vegetais, modelo que está sendo utilizado em uma horta comunitária no distrito de Tibiriçá. Caio Passianoto, da CBC Ambiental, esteve presente e destacou o papel social do projeto. “Não é apenas uma fonte de renda, mas também um instrumento de transformação social, convivência e integração para o desenvolvimento local”, afirmou.

HIDROPONIA LEVOU O OLHAR VERDE PARA O NORDESTE

Durante a palestra, nós twitamos as abordagens mais legais do Viccario. A partir das postagens, tivemos a participação ilustre de André Tenório, que coordena projetos de terceiro setor no Nordeste e se interessou pela produção hidropônica de alimentos na região, já que o cultivo pela água independe da qualidade do solo para agricultura.

Pelo Twitter, ele perguntou como ter acesso aos dados relacionados à hidroponia lá no Recife, onde ele mora, e quais as maiores vantagens dessa técnica. A resposta era grande e não dava pra responder em 140 caracteres… então, a partir de agora as perguntas para as palestras poderão ser feitas pelo formspring e nós respondemos na hora. É simples: basta acessar a página http://formspring.me/olharverde, escrever sua pergunta e se identificar com o nome de usuário do Twitter. Em breve teremos mais recursos interativos para permitir a participação de cada vez mais pessoas. Valeu pelo toque, André!